As 5 Forças de Porter
Um dos aspectos necessários para traçar uma estratégia competitiva adequada é, segundo Porter (1947, p.2-3), compreender as fontes da rivalidade - e, portanto, os determinantes do potencial de lucro final - de uma indústria. Em seu livro, Estratégia Competitiva, Porter (1947, p. 5) define uma ferramenta baseada em cinco forças para realizar a análise estrutural de uma indústria. Esses cinco aspectos são: Ameaça de Novos Entrantes, Poder de Negociação dos compradores, Ameaça de Produtos ou Serviços Substitutos, Poder de Negociação dos Forncedores e Rivalidade entre os atuais concorrentes; e eles podem variar de intensas à relativamente moderadas.
Para este projeto, analisar a indústria dos hospitais no mercado do estado de São Paulo permitirá, à PharmaTech, compreender melhor seu parceiro (Hospital de Clínicas da Unicamp) e como ajudá-lo. Apesar de indiretamente relacionada com o projeto do PharmaBot, esta análise é um diferencial da equipe para com o HC. Isso porque, visa fortalecer os laços de parceria por meio da profunda compreensão da posição de mercado do hospital na sua indústria. Ademais, trata-se de uma chance dos alunos praticarem suas capacidades analíticas acerca do entendimento de negócios (pilar educacional do PBL ou "ensino por projetos").
Abaixo, pode-se verificar o template (Fig. 1) utilizado para a análise seguido de uma explicação mais detalhada de cada um dos aspectos. Antes porém, faz-se o delineamento básico desta indústria abaixo.
Aspectos básicos da indústria
- Indústria analisada: Hospitais públicos de São Paulo
- Potencial Mercado: 44 milhões de pessoas (IBGE, 2022)
- Número de concorrentes: cerca de 1150 hospitais (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE (CNSaúde); FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE HOSPITAIS (FBH), 2022)
- Setor Responsável: Público e Privado

Ameaça de novos entrantes [MODERADA]
Em seu livro, Porter (1948, p. 7-15) expressa que a ameaça de novos entrantes é determinada pelas barreiras de entrada e a retaliação esperada dos atuais concorrentes na indústria, os quais são resumidos pelo conceito hipotético de preço de entrada dissuassivo. No caso da indústria de hospitais em São Paulo essa ameaça é relativamente moderada. Isso porque a política governamental no estado para o funcionamento de hospitais é rígida, sendo controlada por órgãos como a CETESB, o governo federal, estadual e municipal. Apenas para emitir a licença ambiental de operação de um hospital em São Paulo, são necessários mais de 15 documentos emitidos por diferentes fontes do governo como o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde-PGRSS e a Certidão da Prefeitura Municipal Local (CETESB, 2024). Além disso, é necessário um grande aporte de capital para a construção de um hospital. Em 2023, o Bradesco Seguros e a Mater Dei planejaram a construção de um hospital de médio porte com apenas 250 leitos na rua Voluntários da Pátria. Esperava-se que apenas a construção do hospital custasse mais de meio bilhão de reais (Koike, 2023). Portanto, apesar de a retaliação esperada pelos atuais concorrentes não ser alta, dado o defícit de leitos em São Paulo, as altas barreiras de entrada apresentadas acima configuram uma ameaça de entrantes moderada ou até baixa.
Poder de Negociação dos compradores [MODERADA]
Devido ao baixo número de leitos por pessoa em São Paulo, espera-se que os compradores (pacientes) sejam pouco sensíveis aos preços. Portanto, espera-se que tenham baixo poder de negociação. Deve-se evidenciar, porém, que com o governo estadual como um concorrente e o governo federal como um provedor de subsídios para alguns hospitais que atendem ao SUS (Sistema Unificado de Saúde), os compradores geralmente tem a capacidade de escolher entre um serviço "gratuito" e um serviço "pago". Deste modo, o poder de negociação dos compradores aumenta. Sabe-se, por exemplo, que um terço dos paulistas com plano de saúde ainda buscam o SUS para internação devido aos altos custos desse serviço (Colluci, 2023). Portanto, espera-se uma força moderada neste sentido.
Ameaça de Produtos ou Serviços Substitutos [MODERADA]
O serviço de saúde em São Paulo é dado por várias formas de empreendimento, incluindo clínicas, ambulatórios, unidades básicas de saúde (UBS), pronto-socorros, hospitais e etc. Cada um desses empreendimentos deveria cuidar de graus de complexidade diferentes. Enquanto, por exemplo, as UBSs cuidam de serviços como atendimentos odontológicos, diagnóstico e vacinas, hospitais são responsáveis por serviços de maternidade, cirurgia e casos de diagnósticos complexos ( Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, 2021). Não obstante, essa diferença entre os serviços costuma ser imprecisa para a maioria dos cidadãos, sobrecarregando subsitutos dos hospitais, como os UPAS (Agência Brasília, 2022). Ainda assim, a especialização de hospitais em serviços complexos direciona invarialmente parte do mercado para eles. Logo, o grande número de substitutos e a moderada diferenciação entre os serviços de saúde oferecidos culmina em uma moderada ameaça de produtos substitutos.
Poder de Negociação dos Fornecedores [ALTA]
Quando se trata do poder de negociação de fornecedores na indústria de hospitais, têm-se a primeira força considerada alta. Porter (1948, p. 29) cita nominalmente seis casos em que os forncedores se tornam uma força poderosa, dentre estes, três ocorrem nesta indústria: o grupo de fornecedores
- "É dominado por poucas companhia e é mais concentrado do que a indústria para a qual vende";
- "Não está obrigado a lutar com outros produtos substitutos na venda para a indústria";
- "O produto dos fornecedores é um insumo importante para o negócio do comprador".
Apesar de serem fornecidos por diversos setores, sabe-se que o mercado de equipamentos tecnológicos compõem uma parte significativa do investimento dos hospitais. Este é altamente dominado. Isso ocorre porque as economias de escala do setor de equipamentos hospitalares exercem forte pressão neste mercado e grande parte dos competidores são do mercado internacional, como a Stryker Corporation. Ademais, a diferenciação dos produtos de cada empresa tornam os custos de mudança muito altas, sendo este exemplo citado pelo próprio Porter em seu Estratégia Competitiva (1948, p.10). Por fim, dado a complexidade oriunda dos casos tratados pelos hospitais, os fornecedores se tornam parte imperiosa no negócio do hospitais. Portanto, esta é uma força alta
Rivalidade entre os atuais concorrentes [MODERADA]
Segundo a análise feita pela PharmaTech, a rivalidade entre os atuais concorrentes é moderada. Isso ocorre por causa do tamanho do mercado paulista e a baixa quantidade de concorrentes neste mercado. Pontua-se também a influente participação do governo na criação de hospitais, sendo que este possui quase um quarto do total de hospitais em São Paulo (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE (CNSaúde); FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE HOSPITAIS (FBH), 2022). Na configuração atual, em que 70% dos brasileiro não possuem plano de saúde, o market share está praticamente nas mãos do serviço público, de modo que sobra pouco espaço para concorrência na indústria (CNM, 2018)